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Combate à depressão: exercício é aliado do cérebro

. | postado em 05/09/2021

1 Setembro 2021  | Seção: Colunas & Artigos  |  Categoria: Dica

 A prática de exercícios pode estimular a neuroplasticidade, capacidade do cérebro de se adaptar. Hoje, começa o Setembro Amarelo, campanha brasileira de prevenção ao suicídio que acontece desde 2015.

 

A atividade física não só reduz os sintomas depressivos, como também expande a capacidade de mudança do cérebro, segundo uma pesquisa elaborada pela University Clinic for Psychiatry and Psychotherapy at Ruhr-Universität Bochum (RUB). Segundo o neurologista Fabrício Borba, o estudo mostra que a prática de exercício físico, mesmo por curtos períodos, promove benefícios clínicos verificáveis e que isso pode advir de mudanças na capacidade do cérebro de produzir novas conexões e se reestruturar.

- São necessários mais estudos para entender a extensão desses benefícios e se eles se mantém no longo prazo, porém são resultados animadores e já há evidências científicas de sobra para recomendar exercícios físicos regulares como parte de uma vida saudável - acrescenta Fabrício.

A atividade física é uma grande aliada do nosso cérebro. O neurologista lembra de experimentos clássicos, como o de Vaynman e Pinilla publicados no European Journal of Neurosciences em 2004, que demonstraram de maneira consistente que, imediatamente após uma sessão de exercícios, ou mesmo no médio e longo prazo, pode-se notar o aumento de substâncias benéficas ao cérebro no sangue e nos neurônios.

 

Sintomas de depressão

Sensação de tristeza

Falta de vontade para realizar atividades

Falta de energia e cansaço constante

Irritabilidade

Dores e alterações no corpo

Problemas no sono

Perda de apetite

Dificuldade de concentração

Pensamento de morte e suicídio

Abuso de álcool e drogas

Lentidão

 

Exercícios no combate a depressão

Melhora cognição e raciocínio

Reduzi os sintomas de doenças neurodegenerativas

Alivia dores de cabeça

Auxilia no tratamento de outras doenças neurológicas

Segundo a Organização Mundial da Sáude (OMS), a depressão é um problema de saúde mental que afeta mais de 264 milhões de pessoas de todas as idades no mundo. Embora sua causa não seja definida, sabe-se que existem fatores ambientais, genéticos e também alterações na estrutura e funcionamento do cérebro desses indivíduos.

- Dentre as alterações cerebrais na depressão, supõe-se que haja efeitos tóxicos de glicocorticoides, bem como redução de substâncias denominadas fatores neurotróficos e queda na capacidade do cérebro de produzir a chamada plasticidade cerebral, habilidade do cérebro de se recuperar e se reestruturar ? informa o neurologista.

O especialista afirma que é muito difícil comprovar em pessoas vivas que algo leva à neuroplasticidade, porém métodos modernos de estimulação magnética transcraniana e avaliação clínica aprofundada permitiram que Bruchle e colegas montassem um experimento.

- Uma pesquisa sugeriu que um programa de três semanas de exercícios físicos foi capaz de melhorar os sintomas de depressão e que isso teve correlação com indícios de aumento da neuroplasticidade. São resultados animadores e que devem continuar sendo estudados ? completa.

 

Atividade física como aliada

As primeiras teorias para entender a doença explicam que pessoas deprimidas, possivelmente, têm menor produção de neurotransmissores em regiões específicas do cérebro, tais como serotonina, noradrenalina e dopamina. Dessa forma, medicações para depressão, de acordo com o especialista, funcionam aumentando a disponibilidade desses neurotransmissores, o que tem muitas vezes efeito benéfico sobre o humor de pacientes que têm indicação para o uso. Por outro lado, uma pesquisa desenvolvida em Harvard em 2020 revelou que pessoas fisicamente ativas são menos propensas a desenvolver depressão clínica do que sedentários, seja uma atividade leve ou não.

- Já foi demonstrado que a prática de exercícios físicos regulares é capaz de desencadear uma série de mudanças químicas no organismo e levar a um aumento positivo desses neurotransmissores, especialmente a serotonina, em regiões do cérebro relacionadas à depressão destaca o médico.

Além de promover o bem-estar e socialização, a atividade física libera libera dois hormônios que auxiliam no tratamento da depressão:

Endorfina: promove sensação de bem-estar, euforia e alívio das dores;

Dopamina: conta com efeito analgésico e tranquilizante.

Fonte: Fabrício Borba é médico neurologista e neurofisiologista clínico pela Unicamp. Doutorado em andamento em neurociências (UNICAMP). Professor de neurologia da faculdade de medicina da UNIMAX?  Indaiatuba. Médico associado e pesquisador dos ambulatórios de doenças neuromusculares e neurogenética da Unicamp. Médico neurologista e eletromiografista dos AME de Campinas, Mogi Guaçu e serviços particulares. Membro da Academia Brasileira de Neurologia, Sociedade Brasileira de Neurofisiologia Clínica e Academia Americana de Neurologia. www.drfabricioborba.com.br

Fonte: Eu Atleta | https://www.fitestrong.com.br/secaodesktop/colunas-e-artigos/1527/combate-a-depressao-exercicio-e-aliado-do-cerebro

Imagem de arhy82 por Pixabay 

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