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O que é melhor para a saúde, perder peso ou se exercitar?

. | postado em 23/10/2021

18 Outubro 2021  | Seção: Colunas & Artigos  |  Categoria: Artigos

Estudo aponta que estar ativo fisicamente é mais importante do que emagrecer, mesmo para indivíduos com sobrepeso ou obesidade

Um novo estudo publicado no jornal científico iScience afirma que, para pessoas com obesidade, deixar de lado o sedentarismo e se exercitar é mais importante do que simplesmente perder peso. As duas coisas juntas, melhor ainda, claro. No entanto, é válido ressaltar que perder peso com dieta, mas sem exercícios, não gera os mesmos benefícios para a saúde do que passar a fazer exercícios, mesmo que isso não resulte em emagrecimento. Afinal, a atividade física aumenta a longevidade devido a benefícios como a melhora de diversos sistemas do nosso organismo, que levam à redução dos riscos de doenças cardíacas e morte prematura. Para explicar o estudo, o Eu Atleta conversou com o médico endocrinologista e do esporte Ricardo Oliveira.

 

O estudo

Esse estudo publicado por um grupo de pesquisadores do Arizona, nos Estados Unidos, trata-se de uma revisão interessante acerca das relações entre condicionamento físico, peso, saúde cardíaca e longevidade. Na pesquisa, foram analisados os resultados de diversos estudos anteriores sobre perda de peso e exercícios em homens e mulheres. Chegou-se à conclusão, então, que indivíduos com obesidade tendem a reduzir os riscos de terem doenças cardíacas e morte prematura a partir da prática regular de exercícios físicos, sendo esta muito mais eficaz que a perda de peso em si.

Isso porque na maior parte dos estudos com obesidade visando perda de peso, os resultados não levam à redução de mortalidade cardiovascular devido à pouca perda de peso mesmo com medicamentos e, principalmente, pelo fato dessa perda de peso dificilmente ser sustentada.

Por outro lado, os benefícios da atividade física vão muito além da perda de peso. Diversos parâmetros de risco cardiometabólico podem ser melhorados por meio de sua prática regular, como:

 

* Melhora do perfil glicêmico;

* Melhora do perfil lipídico;

* Melhora dos marcadores de inflamação sistêmica;

* Melhora cardiovascular;

* Redução do risco de morte prematura.

 

- Todos esses fatores citados acima aumentam a longevidade. Então, fazendo uma analogia com um remédio, a atividade física consegue em uma pílula só ter inúmeros benefícios que a própria perda de peso não consegue. O estudo recente mostrou que a atividade física modifica a expressão de mais de cinco mil moléculas no nosso organismo. Dessa forma, o benefício oriundo do exercício físico é multifatorial, uma vez que este promove a melhora de uma série de fatores de risco cardiometabólico, como perfil glicídico, lipídico, resistência à insulínica, parâmetros laboratoriais de inflamação sistêmica, melhora de pressão arterial e, sobretudo, a melhora da capacidade cardiorrespiratória - explica Ricardo Oliveira.

De acordo com Ricardo Oliveira, no estudo, foi feita uma análise crítica sobre diversos números que mostram que a maior parte dos tratamentos visando a obesidade acaba não tendo sucesso, de modo que o efeito ioiô, em que há alternância entre emagrecimento e reganho de peso, acaba sendo uma regra para milhões de norte-americanos. E o estudo propõe uma nova abordagem no tratamento da obesidade, centrada em melhorar o nível de atividade física, independente de isso atingir ou não a perda de peso. Resumidamente, pode-se dizer que a pergunta principal que rondou o estudo foi: se alguém está com sobrepeso ou obeso, é melhor para a saúde perder alguns quilos ou se tornar ativo fisicamente? E a resposta que se chegou foi que é melhor se exercitar e ser fisicamente ativo do que simplesmente emagrecer.

- O artigo faz uma análise crítica e traz uma série de resultados de outros estudos, e mesmo em casos em que houve tratamento com sucesso da obesidade, a redução do risco cardiovascular na maioria dos estudos não esteve atrelada à presença de peso perdido ou à quantidade de peso perdido. Dessa forma, levanta-se a hipótese de que o papel do exercício físico, ao melhorar a capacidade cardiorrespiratória, tem uma função protetora no tratamento da obesidade estando atrelado ou não à perda de peso. Lembrando que a maior parte dos estudos com atividade física promove pouca ou nenhuma perda de peso. Por isso, os autores sugerem que o benefício do exercício físico reduzindo o risco cardiovascular da obesidade não está atrelado ao exercício físico causando perda de peso - aponta o médico endocrinologista e do esporte.

Em relação ao tratamento da obesidade, Ricardo destaca que é preciso fazer uma análise crítica do estudo, sendo importante, sim, que os pacientes com obesidade atinjam a perda de peso. A perda de peso por si só melhora também uma série de outros fatores de risco cardiometabólico, como resistência à insulina, pressão arterial, concentração de gordura visceral e sistema osteoarticular.

- É importante que se entenda que a perda de peso nos pacientes com excesso de peso, ou seja, sobrepeso ou obesidade, é, sim, muito bem-vinda. O que esse estudo traz é que talvez devamos olhar não só para perda de peso, mas também para os níveis de sedentarismo, estimulando a prática de atividade física. O tratamento da obesidade deve ser multifatorial, envolvendo dieta, atividade física, uso de medicamentos e, nos casos mais graves, até a cirurgia bariátrica. E é importante entender que a perda de peso é muito importante, porém, deixar de ser sedentário e fazer atividade física é tão importante ou mais do que a perda de peso em si - aponta.

Portanto, não se trata de um ou outro. Ainda segundo Ricardo Oliveira, a mensagem mais importante do estudo em questão trata-se da abordagem dos médicos para com seus pacientes com obesidade: eles devem incentivar e elogiar sempre que o paciente buscar a atividade física, ainda que isso não tenha trazido perda de peso propriamente dita.

 

Prática física regular e longevidade

De acordo com a pesquisa, perder peso com dieta, mas sem exercícios, não gera os mesmos benefícios para a saúde do que passar a fazer exercícios, mesmo que sem emagrecimento. Mas, afinal, por quê? Ricardo Oliveira explica que um grande dilema/fantasma/obstáculo no tratamento da obesidade advém da estatística de que 90% dos pacientes que perdem peso com o tratamento, seja ele qual for, acabam recuperando o peso perdido em algum momento.

- Talvez essa seja a grande limitação dos estudos com a obesidade: eles não mostram uma redução do risco cardiovascular, em sua maioria, porque a perda de peso em geral nos estudos é discreta, no máximo moderada. Mas o principal tange o fato de que essa perda de peso, além de ser pequena, não ser sustentada na grande maioria dos caso - afirma o profissional.

Portanto, é preciso cada vez mais incentivar as pessoas, com sobrepeso ou não, a fazerem atividade física, a saírem do limiar do sedentarismo. Afinal, a atividade física é o "medicamento" com o melhor perfil de custo-benefício, podendo ser feita a qualquer momento do dia, em qualquer lugar, sem precisar gastar dinheiro para isso, uma vez que ela pode ser praticada em locais públicos ao ar livre, e os benefícios são inúmeros.

- De acordo com literaturas científicas, o exercício físico regular é capaz de prevenir e melhorar pelo menos 26 tipos de doenças. Então, esse é o nosso principal padrão de convencimento: em uma tacada só, você pode melhorar uma série de sistemas e órgãos no seu organismo desde a parte cardíaca, respiratória, metabólica e, inclusive, a saúde mental - ressalta o médico endocrinologista.

 

Fonte: Ricardo de Andrade Oliveira é médico endocrinologista e do esporte, ex-professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e coordenador do Departamento de Doenças Associadas da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso).

Fonte:  Eu Atleta | https://www.fitestrong.com.br/secaodesktop/colunas-e-artigos/1621/o-que-e-melhor-para-a-saude-perder-peso-ou-se-exercitar

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