10 mitos sobre as lesões ligadas à corrida

. | postado em 25/03/2021

25 Março 2021  | Seção: Colunas & Artigos  |  Categoria: Corrida

   

Médico do esporte e ortopedista, Adriano Leonardi esclarece dúvidas comuns aos corredores

Muito é dito sobre lesões e corrida, mas nem tudo é verdade. Abaixo, veremos os dez principais mitos envolvendo o tema e explicaremos o que é cientificamente real, comprovado pela medicina. Confira!

 

1. Correr degrada mais a cartilagem

Diversos estudos apontam que as pessoas que praticam corrida e que se mantêm ativas de maneira moderada apresentam menor taxa de artrose em comparação com os indivíduos sedentários do mesmo sexo. As pesquisas têm sugerido que a prática esportiva dentro dos limites fisiológicos está ligada à liberação de enzimas anti-inflamatórias e de um bom "turn over" de tecido cartilaginoso. Além disso, sabemos que uma boa biomecânica, ou seja, uma boa qualidade de movimento, é fundamental para evitar que haja hiperpressão em algum ponto da cartilagem, com consequente condropatia.

 

2. A síndrome do atrito do trato iliotibial é tratada única e exclusivamente de maneira conservadora

Como já publicado previamente aqui no EU Atleta, existe o tratamento cirúrgico para essa síndrome, aplicado geralmente em casos em que os pacientes esgotaram o tratamento de fisioterapia de excelência e que fazem grande volume. A técnica básica para estes casos é chamada de zetaplastia com ressecção do epicôndilo lateral. Os resultados funcionais são muito bons e o índice de retorno aos esportes nestes casos gira em torno de 80 a 90%.

 

3. A avaliação da pisada é fundamental para prevenir dores no joelho

A ciência tem se voltado cada vez mais ao funcionamento do quadril. Alguns estudos sugerem que o enfraquecimento do glúteo médio e dos rotadores externos do quadril estão ligados ao mau funcionamento do joelho, e, consequentemente, às dores, principalmente provindos da famosa condromalácia. Ultimamente, existe uma tendência em se prescrever palmilhas apenas para os casos extremos de pisada pronada e pisada supinada.

 

4. Em casos de fratura por estresse, é só imobilizar e voltar ao esporte

A fratura por estresse está ligada a distúrbios osteometabólicos e a imobilização pode piorar a qualidade óssea local. O ideal é sempre fazer uma avaliação metabólica e rever a periodização do treinamento, principalmente em mulheres.

 

5. Homens se machucam mais durante a corrida

O índice de lesões em corridas, segundo alguns estudos, é de oito a 12 vezes maior em mulheres e existem fatores ligados a isso, como erros da biomecânica, fatores hormonais e fatores anatômicos.

 

6. A corrida é um esporte fácil de praticar, basta comprar um tênis e começar

De fato, a corrida é uma prática muito acessível. Porém, assim como qualquer esporte, a corrida exige uma boa preparação física e o acompanhamento de um treinador, que irá periodizar o treinamento de maneira individual para que o risco de lesões seja minimizado.

 

7. Correr na rua causa mais lesão do que correr na esteira

Apesar de haver diferenças biomecânicas e de consumo de oxigênio entre correr na rua e correr na esteira, a taxa de lesão, segundo diversos autores, é exatamente a mesma.

 

8. Toda canelite evolui para uma fratura por estresse

A canelite está ligada a um distúrbio biomecânico chamado de valgo dinâmico (o mesmo que causa a condromalácia) e não necessariamente evolui para uma fratura por estresse. Ela é causada por uma irritação do periósseo na região interna da canela, e, assim como a fratura por estresse, pode atrapalhar demais o treino. Como não envolve o metabolismo ósseo, o retorno ao esporte costuma ser um pouco mais rápido. Corrigindo todos os fatores que a desencadearam, a taxa de recidiva é muito menor do que uma fratura por estresse na tíbia.

 

9. A tendinite do polo inferior da patela é tratada exclusivamente de maneira conservadora

A tendinite do polo inferior em pessoas que fazem grandes volumes de exercícios e não melhoraram com tratamento de fisioterapia exige tratamento cirúrgico. Em geral, é utilizada uma técnica chamada de Blazina, na qual o bico da patela é retirado e o tendão doente são retirados, havendo uma regeneração tecidual, para posteriormente haver uma reabilitação e uma boa transição com o retorno para a corrida.

 

10. Quem tem condromalácia não pode praticar corrida de rua

A condromalácia, que é chamada na literatura americana de "runners knee", é extremamente comum na corrida e está ligada a um distúrbio mecânico denominado valgo dinâmico. Após o tratamento da mesma e uma nova periodização de treinamento, a taxa de retorno à corrida é relativamente alta e o índice recidiva é muito baixo, desde que o treinamento funcional direcionado para a corrida seja respeitado.

Fonte: Eu Atleta | https://www.fitestrong.com.br/secaodesktop/colunas-e-artigos/1183/10-mitos-sobre-as-lesoes-ligadas-a-corrida

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